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Imprensa

Livro apresenta história e estilo de administrar de 12 presidentes

Executivos contam suas trajetórias e como enfrentam desafios do cargo

 

Filipe Oliveira
SÃO PAULO

A NOVA GERAÇÃO DE CEOS

  • Preço R$ 59,90, 182 págs.
  • Autor Pierre Moreau, Giuliana Napolitano, Jair Ribeiro e Celso Loducca (org.)
  • Editora Portfolio Penguin

O filho caçula do executivo Eduardo Mufarej teve de esperar alguns dias para ganhar um nome. O pai, que liderava a empresa Somos Educação, negociava a compra de outra companhia e faltou tempo para discutir a questão com a mulher.

"Comandar a Somos foi uma experiência incrível, mas tenho consciência de que minha família pagou um pouco da conta, o que não é exatamente justo", conta ele em texto publicado no livro "A Nova Geração de CEOs".

Sua história aparece em um dos depoimentos da obra, que apresenta o perfil de líderes na faixa dos 40 anos à frente de companhias como Amazon, Peugeot, Microsoft, CPFL, Kroton e Gol no Brasil.

Bem ao estilo de quem não tem muito tempo a perder, os textos, em boa medida, são de uma objetividade quase seca.

Todos partem da trajetória profissional dos executivos, passando pela escolha do curso de graduação à chegada ao posto de comando de uma grande empresa.

No mais das vezes, o começo é parecido. Estudaram administração, engenharia ou direito e, ao menos nos textos, subiram os degraus do mundo corporativo sem muita dificuldade ou insegurança. 

Daí em diante, os profissionais se dedicam principalmente a explicar seus desafios à frente das empresas e seu modo de gerenciá-los.

Alguns textos têm desfiles detalhados dos indicadores usados pelo presidente para gerenciar a companhia (caso do texto de Rodrigo Galindo, da Kroton). 

Outros despertam simpatia por mostrar a curiosidade e a vocação do executivo pelo trabalho desde a infância (Paulo Kakinoff, da Gol) ou por dar um panorama dos desafios de uma empresa jovem (Paulo Veras, da 99).

Ana Theresa Borsari, diretora-Geral das marcas Peugeot, Citroën e DS no Brasil - Carine Wallauer -25.mai.2018/Uol

Mais marcante, pela personalidade forte e determinada, é o depoimento de Ana Theresa Borsari, responsável pela Peugeot e Citroën no Brasil.

Além de apresentar tema atual, o avanço de mulheres nos cargos de liderança, ela, que trabalhou na França e na Eslovênia, não teme apontar os desafios de comandar no Brasil, onde vê falta de foco.

"Posso estar generalizando um pouco, mas aprendi que, no Brasil, tenho de desconfiar e controlar para ver se o que pedi vai rolar mesmo."

O livro oferece boas ideias de gestão e dá uma primeira impressão de líderes de destaque e seu estilo. Nas frestas, às vezes deixa escapar algo mais sobre a pessoa atrás do cargo. Poderia discutir mais o que os convence a pagar conta tão salgada por ele.

CONVERSA DE CEO

"Duas semanas depois de assumir a presidência, estabeleci que, se estivesse no Brasil, reservaria a manhã de quinta-feira para viajar com a Gol para algum destino, saindo do aeroporto de Congonhas"
Paulo Kakinoff, presidente-executivo da Gol

"Meu marido resolveu pedir demissão e me acompanhar [quando comecei minha carreira internacional]. Acho que foi a maior prova de amor que eu poderia ter, porque ele fez isso pela família"
Ana Theresa Borsari, diretora-Geral das marcas Citroën e DS no Brasil


"Tivemos de fazer ajustes que nunca tínhamos feito. Eu sabia quanto cada loja gastava com a conta de luz. Estimulávamos os gerentes a desligar o ar-condicionado duas horas antes de a loja fechar e ligar uma hora depois de abrir"
Frederico Trajano, presidente-executivo do Magazine Luiza


"Setenta por cento do meu tempo é dedicado aos clientes. Tenho um algoritmo na minha agenda que avisa quando essa taxa cai abaixo de 70%. Se isso acontece, mudo a agenda para voltar a meta"
Paula Bellizia, presidente-executiva da Microsoft para o Brasil

"Ordem e progresso só existem juntos na bandeira do Brasil. Na prática, se você quer ter ordem, abdica do progresso, porque ela engessa um monte de coisas. A empresa ordeira de mais pode ser muito eficiente, mas cresce pouco e cria muito lentamente"
Paulo Veras, cofundador da 99


"Temos uma diretriz, que é o Falha Zero. Toda organização tem problemas. Quando um é identificado no radar, ele é encaminhado para a equipe do Falha Zero, que tem a missão de identificar a causa-raiz"
Rodrigo Galindo, presidente-executivo da Kroton

 


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