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"Tenho desejo de entrar na política", diz CEO do Magazine Luiza

Entrevista de Frederico Trajano, da Magazine Luiza  para o InfoMoney  no ciclo de palestras  "Nova Geração de CEOs" na Casa do Saber. 

Contudo, Frederico Trajano deixa bem claro que isso não é pra hoje, já que pretende ficar à frente da "Magalu" por pelo menos mais 5 anos

SÃO PAULO - Personagem central de uma das maiores reviravoltas da história da bolsa brasileira, Frederico Trajano alça voos maiores quando passar o bastão da presidência do Magazine Luiza (MGLU3). Na noite de quarta-feira, "Fred" revelou um desejo antigo que ainda quer realizar: entrar na política.

"Tenho desejo de entrar na política. Até o ano que vem vou me inscrever em um partido", disse o CEO durante evento "Nova Geração de CEOs", realizado na noite de quarta-feira na Casa do Saber, na zona sul de São Paulo. Contudo, Fred deixa bem claro que isso não é pra hoje, já que pretende ficar à frente da "Magalu" por pelo menos mais 5 anos. "Agora é a vez da minha mãe [Luiza Trajano] e do Marcelo Silva [ex-CEO da empresa]", afirma.

 

Diante de pouco mais de 50 espectadores, Fred foi sabatinado por Pierre Morreau, fundador da Casa do Saber e co-autor do livro "Fora da Curva". Ele falou sobre a alta de 8.000% que a ação da empresa acumula na bolsa de dezembro de 2015 pra cá, explicou alguns dos fatores que ajudaram nessa transformação da empresa e disse que está vivendo uma verdadeira revolução a frente da varejista que está cada vez mais com cara de "tech".

Confira abaixo os principais trechos da fala de Frederico Trajano durante o evento:

Modelo de negócios da Magazine Luiza
Assumi a empresa em janeiro de 2016 bem no olho do furacão. A vantagem é que eu estava bem preparado, tinha feito muitos treinamentos antes de ser conduzido para o cargo, e não fui pego de surpresa pela crise. Durante meu treinamento para me tornar gestor, tivemos uma etapa de treino em Londres na qual eu tinha que escrever o meu "mandato" na empresa e apresentar para os outros CEOs que estavam treinando comigo. Eu escrevi "transformar uma empresa de varejo com participação digital em uma plataforma digital com ponto físico". E esse meu mandato tem 5 pilares: 1) inclusão digital do brasileiro (não basta vender o celular, eu quero ensinar o brasileiro como usar o celular e até como escolher o plano de dados); 2) digitalizar as lojas físicas; 3) desenvolver ainda mais a muticanalidade (exemplo: temos hoje o processo de compra com um só clique pelo nosso app: com apenas um toque, a compra já é feita com o cartão que está cadastrado em nossa loja); 4) ter cultura digital; e 5) virar um marketplace. Devo ter mais de 50 projetos e todos eles têm esses pilares como foco. Não imagino realizar tudo isso em menos de 5 anos. Esse é o tempo mínimo que eu estimo ficar a frente da companhia.

Amazon não terá vida fácil
Amazon não vai ter moleza no Brasil. Lá fora ela tem Fedex, Sedex, DHL, entre outras, então ela não precisa ter sequer um caminhão ou um motoboy. Aqui, a gente depende de uma única empresa, o Correios, que ainda por cima é estatal.

Um acerto e um erro
Criar metas compartilhadas entre as áreas, forçando a comunicação e a interação entre funcionários de diferentes setores, criando assim esse modelo de "gestão de gente" talvez tenha sido a melhor coisa que fiz para a empresa na minha gestão. A pior coisa? Não sei, talvez tenha sido liberar o uso de bermudas dos funcionários (risos), mas isso o tempo dirá.

Ações vão subir mais?
O mercado é meio bipolar: nossa ação valia R$ 1 em 2015 e eu não me achava a pior empresa do mundo; assim como hoje ela vale R$ 80 e eu não acho que sou a última bolacha do pacote. O que importa pra mim são 5 pontos: venda, rentabilidade, geração de caixa, clima interno e NPS (você indicaria o serviço do Magazine Luiza para um amigo?). Se essas 5 coisas andarem bem, a ação vai subir, então uma coisa leva a outra. Minha maior vitória não foi a valorização das ações, mas sim tornar-se a melhor varejista do Brasil para se trabalhar. Agora eu quero me tornar a melhor empresa do Brasil para se trabalhar, não só a do varejo.

Chegar aos 100 anos com alma de 20
Quando eu assumi, disse que minha meta era ver o Magazine Luiza chegar aos 100 anos com alma de 20. Hoje já temos 60 anos. Como estou com 40 anos, eu posso chegar lá pra ver como será (risos).

MGLU3: a maior promoção do Black Friday 2015
Quando eu assumi o Magazine Luiza, meus amigos do mercado financeiro diziam que estavam com dó de mim. Eles deveriam é ter comprado as ações (risos). Nossa ação foi a maior promoção do Black Friday de 2015, a gente valia 20% do nosso patrimônio. Mas é o que eu disse, o mercado é bipolar.
Quando fizemos o IPO e entramos na bolsa, usamos o capital para comprar várias empresas, elevamos nossa dívida e enfrentamos uma dura crise em 2015. Tivemos que fazer um modelo agressivo de controle de custos: a gente conseguia saber se os gerentes das 800 lojas que tínhamos estavam ligando o ar condicionado uma hora depois da loja abrir e desligando duas horas antes da loja fechar. Não fechamos nenhuma loja na crise, mas renegociamos todos os contratos de alugueis que tínhamos.

Clima e comportamento: duas metas agressivas
Duas metas possuem muito peso no Magazine: clima e comportamento. Se um gestor não foi bem em comportamento, ele tem o bônus zerado. Talvez por isso que somos uma das melhores empresas para se trabalhar no Brasil. Um ponto muito elogiado nosso é que todos os funcionários possuem metas e sabem o que tem que fazer na empresa.

Família Trajano na política
Tenho desejo de entrar na política. Até o ano que vem vou me inscrever em um partido. Sempre tive desde o meu tempo de universitário. Mas agora é a vez da minha mãe e do Marcelo Silva (ex-CEO) irem. Eu não posso fazer duas coisas ao mesmo tempo, e pelo menos nos próximos 5 anos estarei focado no Magazine Luiza. Mas no momento de agora é hora de você apoiar o candidato que você gosta, ajudá-lo com doações (já que agora as campanhas serão financiadas por pessoas físicas, não por empresas). Eu farei de tudo para ajudar o Brasil tornando o Magazine Luiza numa empresa que atue na inclusão digital do brasileiro. Tenho desejo de ser político mas só me dedicarei a ser político quando passar o bastão da empresa.

Sobre minha mãe na política, quando ela foi chamada para ser ministra do governo Dilma, todos os amigos dela diziam "você está louca de pensar em aceitar? Você vai se corromper". Hoje essa percepção de que entrar na política é negativo está mudando.

Nova revolução.com
Sair da loja física para o mundo online foi uma revolução. Agora, sair do online para o marketplace também é. Eu estou tão entusiasmado como em 2000 quando entrei no e-commerce.

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